Crime e castigo
Em Crime e Castigo, de Dostoiesvski, a personagem central - Raskólnikov, estudante de direito em S. Petersburgo - escreve um artigo onde, às tantas, insinua existirem no mundo duas categorias de pessoas, as vulgares e as invulgares. Às primeiras está reservada uma vida de obediência, de intransponíveis obrigações legais, sem direito à transgressão destes preceitos estabelecidos, exactamente pela razão de sofrerem de "vulgaridade". Já as últimas, as invulgares (ou que assim se julgam, está bom de ver), teriam o direito de não respeitar o Direito e de perpetrar todos os crimes se estes constituíssem impedimento à prossecução dos seus superiores desígnios. Aos "invulgares" deveriam ser permitidas todas as transgressões à Lei se o seu cumprimento constituísse um obstáculo às suas realizações "superiores". Esse feitos seriam até, segundo o autor, benéficos futuramente para a sociedade como um todo. O génio não devia ser travado pela vulgaridade, incapaz de a compreender, e devia sacrificar-se a ela.
Transpor isto para o Portugal, dito democrático, é relativamente fácil e surgem-nos imensas similaridades e analogias entre aquilo que Raskólnikov defendia e o que, na prática, se passa com os "invulgares" deste rectângulo à beira-mar abandonado.
Há por aí muita gente com a mania que é genial, que nos impõe sacrificios, que vive à margem da Lei e que nos pretende tomar por estúpidos. Muitas vezes, como justificativo das suas acções remetem-nos para um futuro melhor (se o julgam convictamente ou se estão apenas a aldrabar-nos é que não sei).
Ou é impressão minha?




1/18/2012 08:44:00 PM
Alexandre Borges
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