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O Que Parece Não É

Se tivesse poder de decisão e tivesse Escolas com condições miseráveis o que escolheria para fazer ao pouco dinheiro que tem disponível? Reparar o património de todos ou gastar em propaganda?

Este presidente da Câmara Municipal de Nelas já nos demonstrou que vive de ilusões e de enganar os mais distraídos. Vamos a mais um exemplo:

Reparem nesta Escola, em Canas de Senhorim, mesmo ao lado da Junta de Freguesia. Que bonita que está, com o muro todo pintado de fresco. Quem passa de carro repara que a Câmara se preocupa com as nossas crianças e com as condições que as mesmas têm, não é?

Parece que a realidade não é bem assim e que para lá da fachada da propaganda as coisas não são aparentemente tão limpas, funcionais e acolhedoras para alunos, funcionários e professores, criando condições para uma boa educação.

Uma Escola sempre fria, cheia de humidade, com problemas eléctricos que podem por em causa a segurança das crianças. Uma Escola sem acesso para pessoas com problemas de mobilidade e com um aluno nestas condições. Paredes degradadas, estaladas, com aspecto miserável. Casas de banho com deficiências básicas. Uma Escola com um exterior onde árvores de grande porte inclinadas transmitem insegurança.

E, curiosamente, esta não será a única Escola em condições semelhantes. Prioridades!

Poderíamos dizer que o dinheiro não chega para tudo mas, se nos lembrarmos que só no mercado de Natal, em 4 dias, foram gastos 100.000 euros, ficamos com uma noção clara das prioridades do propagandista mor e de quem teima, depois de tantas evidências, a acompanha-lo. Só a uma empresa para "tratar da imagem" e da Câmara foi gasto mais do que necessário para tratar destes problemas de fácil resolução. Só o que foi pago a outra empresa de Viseu, com ligações próximas, a um dos "esteios" submissos do seu poder, foi gasto mais do que o suficiente para resolver problemas como este. Houve até escolas que, depois de encerradas, tiveram obras e ficaram em melhores condições do que qualquer outra.

Quem está atento já reparou que vergonha é coisa que não abunda na presidência da Câmara, mas talvez com umas partilhas deste e doutros textos ela bata a porta do gabinete para desbloquear o que devia ser evidentemente prioritário.























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Paixão pela Educação

Nos últimos tempos temos assistido a uma troca de palavras no éter comunicacional a propósito da intenção do Ministro da Educação deixar de financiar turmas em escolas privadas que, em regime de complementaridade, supriam falhas de oferta de ensino em determinadas localidades. Digo palavras e não razões porque, até agora, não as descortino aos que defendem o inadmissível apoio estatal a empresas que aparentemente sem esse mesmo apoio não são viáveis. Ao ver os argumentos utilizados só me apetece sugerir que o ensino da filosofia nestes colégios seja reforçado, tão fracas as razões aludidas para nos convencer a todos a financiar uma escol(h)a de tão poucos. 

Considera o Ministério que nos locais onde a rede pública existe, e tem condições para assegurar esse serviço fundamental, deve ser o próprio Estado a administrá-lo directamente. Não poderia concordar mais com esta intenção e espero que o Governo não claudique às pressões. 

O argumento da liberdade de escolha é falso e um acto de desespero. Como se houvesse escolas privadas espalhadas pelo país para possibilitar a todos os cidadãos escolher entre público e privado. Ou a escolha financiada pelo Estado é só para alguns cidadãos? 

O Estado deve assegurar a todos os portugueses uma educação de qualidade e livre de barreiras ideológicas ou de fé. Deve-o fazer para assegurar a pluralidade de pensamento e por ética republicana. Não pode, a não ser por impossibilidade própria – e deve trabalhar para que nos casos existentes isso seja ultrapassado – financiar colégios onde há doutrinas predilectas de ideologia ou de fé. 

A República Portuguesa é por definição laica e essa laicidade é já bastante frágil para ser a própria a financiar o contrário do que é constitucionalmente obrigada a defender. 

Ver o PSD e o CDS, os campeões da austeridade e dos “cortes nas gorduras do Estado”, defender o financiamento redundante a uns quantos privilegiados é apenas e só a constatação da ausência de seriedade que se instalou nalguns dirigentes destes partidos. Esta paixão momentânea e assolapada, certamente de inspiração divina, reforça apenas o carácter de pacotilha dos que se arvoram em liberais, mas desde que as contas sejam pagas por todos. Já no “saudável” sistema bancário a regra utilizada foi a mesma – lucros particulares, contas públicas. 

Pergunto qual seria o posicionamento destes partidos se, por hipótese, o PCP (ou outro “perigoso extremismo”) fosse proprietário de escolas com contrato de associação?

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