A decadência do Mundo Ocidental
Confesso que estou muito farto de ver supostos representantes da esquerda, ditos socialistas, daqueles que passaram quase toda a sua vida a defender o individualismo, o egoísmo, e uma sociedade assente na sagrada competição e num mercado divino, que tudo pode e a tudo se sobrepõe - incluindo a natureza e as pessoas, vir fazer alertas balofos sobre os problemas da habitação e do custo de vida que esmaga, ou esmagará (deêm-lhe tempo) grande parte da população.
Desde que o socialismo foi metido na gaveta e foram resgatar o Espirito Santo ao Brasil para vir fazer das suas neste lado do Atlântico, untando e ungindo o poder a troco de discursos simpáticos, que as pessoas passaram a ser meros instrumentos de enriquecimento através de uma retórica tão eficiente, com a ajuda dos opiáceos futebolísticos, que leva os agredidos a preferir os agressores. Uma espécie de síndrome de Estocolmo político.
Surpreendem-se estes vendedores do tecido adiposo escamado pela ascensão dos extremos e com o acolhimento que propostas abjectas têm em franjas cada vez mais alargadas da população. Isso é sempre complicado para quem vive como o Waine Coyne faz concertos. Sejamos benévolos para com estes actores e julguemos que o problema é de ignorância e não de indiferença. Sabem que há cada vez mais gente a passar dificuldades tremendas? Gente que se remedeia hoje mas tem a certeza que não terá vida colectiva, que não pode ter casa própria, que não pode poupar, que não pode ter filhos porque querem para eles mais do que um futuro de escravidão? Acham assim tão estranho que essas pessoas optem por algo diferente, ainda que sem consistência, ainda que seja um logro, ainda que seja uma armadilha?
Os mesmos que temos visto a apelar a manifestantes para que sejam responsáveis, para que “cumpram a lei”, no fundo para que sejam mansos, são, em grande medida, os mesmos que validaram políticas irresponsáveis, de uma violência para com os mais fracos tremenda e que secundaram, nem que fosse com o silêncio, actores criminosos que delapidaram o comum em proveito de poucos (Manuel Pinho, por exemplo. recebeu hoje a notícia de que vai sair em liberdade. Passou cinco anos em “prisão domiciliária - uma idílica quinta no Minho, com todas as condições, adquirida certamente com os proveitos dos crimes pelos quais foi condenado).
O nosso Presidente da República, eleito com 70% dos votos, militante do PS mas mais conhecido por expressar opiniões através da abstenção violenta, veio hoje dizer-nos que a Europa arrisca perder confiança de jovens sem acesso à habitação. Obrigado Capitão Óbvio, mas interessante era reconhecer que só aqui chegámos porque os apologistas da TINA, andam a proteger a finança e o capital e a cagar-se (desculpem-me o espanhol) para os cidadãos e, mais interessante ainda, era propor políticas que cortassem com este estado de coisas e protegessem as pessoas e o Planeta, que está a ser destruído pelas mesmas políticas que atira as pessoas para a miséria e a servidão.
José Luís Carneiro alinha na perfeição com esta atitude. Aprova orçamentos de Estado que diz lesivos (mas, atenção, é uma abstenção porque a semântica é muito importante) para o País e censura manifestantes desesperados, que lutam por políticas de esquerda, recomendando manifestações ad eternum ao estilo kumbaya, enquanto ele capitaneia um PS praticante de mappling (estar no sofá descansadinho) e submisso às políticas que promovem a concentração de capital em pessoas que até já armas nucleares almejam ter.
Enquanto isso, a facção que está no poder, avisa que “não importemos indignações que não têm respaldo na sociedade portuguesa”, ou que “o governo não age em função do que a rua grita”, moldando a realidade através da comunicação, até, um dia, os únicos receptores da mensagem serem a magra elite. No fundo é a mesma atitude que têm perante o sistema Volta, que, pondo a nú a miséria de alguns cidadão, que catam no lixo a troco de centavos, propõe que se acabe com o Volta e não que se combata a pobreza posta a nu.





