Archive for Fevereiro 2019

Seja O Que Alguém Quiser

Há 50 anos a Terra tremeu e o país entrou em pânico. 

Há 50 anos o país era pobre, muito mais pobre, muito mais ignorante, muito mais devoto mas era, fruto essencialmente dessa pobreza, mais equilibrado. Com uma população muito presente em todo o território, com actividade económica também.

Hoje basta ver os investimentos que se fizeram nos últimos anos e os seus valores, onde eles se fizeram e os que estão igualmente projectados para nos apercebermos que estamos a "desenvolver" o país nas zonas de maior risco. Nas zonas onde existe um perigo com maior capacidade destrutiva. Estamos, no fundo, a concentrar o investimento onde ele tem maior capacidade de ser destruído. Isto em quase tudo, inclinando totalmente o país, desertificando grande parte dele, expurgando-o de capacidade humana e económica. Até na área do socorro e protecção civil a concentração é ali, na "Grande Área Metropolitana" e o "alternativo" é no distrito de Santarém (como se sabe uma zona super segura em termos sísmicos #ironia) 

Após o próximo grande sismo (que acontecerá, não é uma possibilidade) teremos um país ridículo e incapaz pois quase tudo o que de melhor há estará concentrado na área afectada e potencialmente destruída ou inoperacional. Teremos um país muito mais incapaz de se levantar, de encontrar alternativa, com regiões depauperadas, sem gente, sem recursos adequados, sem actividade económica. 

Alguém me explica, tendo em conta que tudo isto é conhecido, que todos sabem que um grande sismo vai acontecer, o porquê de continuarmos a insistir num país desequilibrado, inclinado para Lisboa? 

Alguém me explica a total ausência no planeamento de longo prazo para o desenvolvimento de Portugal de um risco que já nos mostrou, em 1755, que podemos deixar de ser líderes mundiais e passar a ser uns meros actores secundários no panorama económico global? Quando isso acontecer não valerá a pena culpar o último ou o próximo governo. Quando isso acontecer choraremos todos o facto de acharmos que isto nada tem a ver connosco. 

Mais uma vez.

Comentários

Viver da Desgraça Alheia

Ontem a TVI deu-nos conta de que há mais uma suspeita de trafulhice a envolver os incêndios de 2017 e os contornos para ajudar a suas vítimas. 

Ao que parece há suspeitas que bens doados (dinheiro, electrodomésticos, etc.) não estão a chegar a quem mais precisa mas a serem retidos e a ser distribuídos a familiares e amigos de autarcas. Depois das suspeitas na atribuição de casas, isto. Um nojo de atitude que, a confirmar-se, demonstra que quem governa por ali não tem o menor sentido ético, solidário ou responsabilidade. Demonstra que há por aí muito boa gente que ao tolerar as pequenas trafulhices do dia-a-dia, muitas vezes laudando o “seu vigarista”, o do “seu partido”, o do “seu clube”, mais não faz do que potenciar estás abjeções. Sejam eles simples eleitores que insistem em os eleger, sejam eles militantes ou membros das copulas partidárias que os indicam para ir à votos. 


Toleramos tudo isto ao longo do ano e depois dizemos-nos muito surpreendidos quando vemos que não há limites ao caciquismo. Pois isto não é mais do que o corolário lógico de práticas mafiosos de lesa pátria. 

Nestas suspeitas há ainda um elemento aparentemente comum - a não fiscalização adequada dos organismos do Estado que deviam acompanhar estes processos e, muitas vezes, dar pareceres vinculativos para os levar adiante, como foi o caso das habitações.

Isto é infelizmente transversal e um modo de agir. No fundo qual é a diferença substancial entre o que a TVI agora notícia e uma Câmara Municipal que se candidata a fundos para reparar infraestruturas afectadas pelos incêndios, indo buscar dinheiro a um bolo muito escasso que faz falta a quem realmente perdeu tudo, e anuncia que vai reparar estradas que estão há muito muito tempo a precisar de reparações. Estradas que pouco ou nada sofreram com esses mesmos incêndios? Isto com o beneplácito de quem devia averiguar se o que se está a apoiar foi ou não afectado efectivamente. 

Ignoremos até sermos nós os afectados e, depois, contemos com o desprezo de quem não sofreu. Continuemos a achar normal que nestas ocasiões, de tragedia, igualmente se verifiquem as já costumeiras aglomerações ao lado do tipo que fala para a televisão, feitos papagaios no ombro do pirata, para lucrar mediaticamente até com a tragedia morbida. 

Fica o link da reportagem. 

Sobre , , , | Comentários

Propaganda Associativa

Andam para aí uns rumores de que a ENDESA não pagou uns subsídios que se tinha comprometido a pagar às Associações do Concelho. Quem as anda a espalhar apenas quer passar culpas próprias para terceiros. Acreditará quem quer. Trata-se apenas de mais um episódio de sacudir a água do seu capote, da sua Câmara, para terceiros que não têm qualquer responsabilidade.

Quem quiser ir ler a acta da Reunião de Câmara de 13 de Julho de 2016 pode ler, claramente na página 43 e seguintes, o que se passou. Dizia o presidente da Câmara:
...Além deste investimento líquido para o Município de Nelas de 1,5 milhões de euros em obras, este valor pode chegar aos 2 milhões de euros em função de duas variáveis que também estão expressas ali no Acordo, que é o cumprimento da DIA – Declaração de Impacto Ambiental, implicar um valor inferior àquele que está projetado pela própria Endesa, que são 2 milhões de euros. Portanto, no Município de Nelas foi o caso da pavimentação do arruamento que foi aberto entre a Póvoa dos Luzianes e a margem do Rio Mondego, cerca de 500 metros. E do lado de Seia, cerca de 5 kms de pavimentação de um arruamento que foi aberto. Presumiram os Municípios que daí ainda se possa libertar, para os quatro, no mínimo mais 1 milhão de euros porque não serão necessários 2 milhões de euros para acabar de cumprir a Declaração de Impacto Ambiental, o que dá mais 250.000,00 euros para cada Município. Além disto, foi pedida uma informação ao Ministério das Finanças se as obras a serem efetuadas pela Endesa se: 1.º - a que taxa de IVA é que estavam sujeitas e se a Endesa podia deduzir o IVA, sendo que, no caso de deduzir o IVA, o IVA seria neutro. Sendo neutro, acrescia aos 1,5 milhões de euros mais o valor do IVA. É o que está previsto também no acordo. Tudo conjugado, o acordo, se a Endesa poder deduzir o IVA das obras e se a Endesa não gastar mais de 1,5 milhões de euros no cumprimento da DIA, este valor de obras líquidas a realizar pela Endesa e a transmitir depois para o Município de Nelas, pode chegar a um valor próximo dos 2 milhões de euros.....
Portanto havia um desejo forte, um whisful thinking, um tomara que chova três dias sem parar, para a ENDESA dar mais 500 mil euros à CM de Nelas. Para que seria esse dinheiro "extra"? Segundo o ilusionista, para entregar às Associações do Concelho em forma de subsídio. Isto decidido não pela maioria da Câmara mas, discricionariamente, pelo cacique como lhe conviesse. Desta forma poderia igualmente fazer promessas, campanha e libertar recursos próprios da CM (que deveriam servir também para apoiar o que deve ser apoiado) para outras coisas. Parece que o dinheiro "extra" não chegou e a tal promessa feita aos dirigentes associativos, na altura amancebados para ameaçarem vereadores na reunião, não se concretizou. Não foi por falta de aviso. 

Bastaria ver a seguinte imagem, com as obras propostas inicialmente, para verificar a vigarice que se vendeu às Associações. 
Já agora, estão a ver quais foram as obras que a ENDESA pagou? Agora vejam lá o que é que a CM de Nelas andou a pagar e a fazer nos últimos anos com o dinheiro dos seus impostos (o actual "assessor/chefe de gabinete" concordou na altura que a sua Freguesia recebesse zero euros)


Quanto ao que eu defendia que deveria ter sido feito fica a acta (expurgada da má educação do presidente que essa era sempre cortada pelo próprio).




Relembro que na altura o cacique fez distribuir um comunicado, pago com o seu dinheiro, pejado de mentiras, onde acusava os vereadores da oposição (todos menos ele e a vereadora) de serem contra as obras e serem contra o dinheiro para as Associações. Mais uma vez recorre-se à mentira para sacudir a água do capote. Um clássico neste tipo.
 

Comentários

Paga e Não Bufes

A Ascendi, antes de ser vendida por quase 700 milhões de euros a uns franceses, dava cerca de 20 milhões de lucros anualmente. Dinheiro que saía dos bolsos dos que, sem alternativa, se deslocavam nas "suas" (não houve igualmente dinheiros públicos a pagar IPs e AEs que são o substrato?) auto-estradas. Auto-estradas caras. A A25, por exemplo, é a AE com o quilómetro mais caro em Portugal e, calculo eu, deve ser a que gera mais lucro/km. A 23 e A24 devem (não tenho a certeza) seguir-lhe o exemplo de perto. 

Recentemente o nosso Parlamento aprovou apoios de 300 milhões de euros para subsidiar os passes de transporte público. Transporte público que só existe realmente em Lisboa e Porto. Como assim é, 85% desse valor acabou nas áreas metropolitanas dessas cidades. 

Hoje o mesmo Parlamento chumbou as eliminação das portagens na A23, A24 e A25. Eu, que até entendo isso, não entendo é como é que se podem permitir lucros obscenos à custa de quem não tem alternativas nem subsídios. (a talho de foice gostaria de saber as razões invocadas - preferencialmente em declaração de voto - pelos deputados eleitos por Viseu que são contra esta abolição (incluir os que se abstiveram) e se propõem alternativas). Só não entendo como é que estas auto-estradas são das mais caras. As mais caras em regiões sem transportes públicos e, pior ainda, sem estradas nacionais que sirvam de alternativas. Quem tem menos alternativas tem, portanto, de sustentar lucros a privados que vampirizaram dinheiro público.

Ou assumimos que é essa mesma falta de alternativa que permite, com a complacência e até o beneplácito de quem legisla e executa, que a oferta disponível seja vendida ao preço que bem entendem? Entendemos que a coisa é montada propositadamente para que alguns grupos económicos tenham a estrada e o passe na mão e que façam deles instrumento de lucro à custa da coesão territorial, desenvolvimento económico e social, e da geografia física e humana de grande parte do território do país? 

O país é inclinado, cada vez mais inclinado, acentuadamente litoralizado e concentrado. Tudo resultado de acções concertadas que a isso levam. Só o discurso, de engodo permanente é que não é coerente. Mude-se o discurso. Sejamos todos muito mais honestos.

Comentários

Carta Aberta a um (qualquer) Socialista

Caro camarada, 

Escrevo-lhe estas breves linhas porque ainda entendo os partidos políticos como espaços de diálogo, de discussão de ideias, entre pessoas com afinidades ideológicas suficientemente próximas para os levar a pertencer a uma mesma “família”. Escrevo-lhe porque acredito que o meu sentimento é transversal e também o defende. 

Todos sabemos que, nos últimos anos, se foi instalando entre os nossos concidadãos um
sentimento de aversão aos partidos políticos, aversão essa simultaneamente motivada e que motivou o afastamento de cada vez mais cidadãos destes fóruns e até da participação cívica essencial ao regime democrático. Sentimento que levou igualmente a níveis cada vez mais elevados de abstenção nos actos eleitorais. 

Na minha modesta opinião isto deve-se, em parte, ao facto dos partidos se terem fechado sobre si mesmos, não estando verdadeiramente interessados em ouvir e integrar opiniões. O “interesse” manifesta-se quase sempre, apenas e de forma um tanto ou quanto hipócrita, nas campanhas eleitorais. Há uma certa prudência instalada para dificultar o surgimento de figuras não apadrinhadas. Trata-se do futuro, mas não do futuro do país. 

Aparentemente este processo de exclusão, através do recurso à não consideração das opiniões emitidas, alarga a sua influência às próprias estruturas do partido e aos seus militantes, cada vez mais ignorados. Parece que, agora, uma decisão de uma estrutura local, sobre um assunto local, passa a letra morta e centralizam-se decisões na grande “capital do império”, ou numa qualquer dependência provinciana, que lá é que se sabe o que todo o país (até o “colonial”) precisa. Quando uma espécie de milagre da multiplicação dos militantes aparenta ser o que realmente sustenta o advento da proximidade é natural que assim seja. Eu ateu, quase apóstata, me confesso que a graça de Deus me ilumina a pensar que isto é errado.

Exemplo disso mesmo são as recentes celeumas com as escolhas de cidadãos para liderarem candidaturas autárquicas feitas por algumas concelhias, que se viram completamente desautorizadas, pese embora as justificações e receios fundamentados invocados nos sítios próprios. 

A justificação é sempre a mesma e deriva da moção aprovada em Congresso de que nas autarquias com presidentes em exercício e com capacidade de se recandidatarem, devem estes ser os candidatos. Defender isto como princípio geral assegura, desde logo, a assunção de que a democracia interna do partido fica em stand-by, o que é preocupante. Alguém que foi eleito, só por esse facto, não deve ser sujeito a um processo de análise e crítica? Deve assumir-se então que, independentemente das políticas aplicadas serem as que o Partido defende, o status quo é para manter? Seguramente que a ideia não será esta mas, a ideia que transparece é que qualquer um serve, qualquer ideologia é adequada, qualquer conteúdo programático encaixa no Partido, desde que se ocupe a “preciosa” cadeira do poder. Na minha, certamente impreparada, opinião com esta abordagem transmitimos aos eleitores, a ideia de que queremos o poder independentemente do que queremos fazer com ele. Com esta atitude favorecemos a saturação, a abstenção e reforçamos o populismo e as abordagens mais radicais aos problemas da sociedade.

O exercício do poder deve servir para implementar valores em que acreditamos, uma sociedade com a qual nos identificamos e não deve constituir um fim em sim mesmo. A ele devíamos demonstrar desapego pessoal. O recurso a lugares comuns do género do “a política é isto mesmo”, deviam estar banidos do discurso e do pensamento, a não ser que encaremos a militância como se fosse a pertença a uma espécie de club ao estilo britânico

Supondo que, teoricamente, um destes presidentes manifesta comportamentos reprováveis que envergonham qualquer cidadão, demonstra que tem uma afinidade notória para o atropelo de normas éticas, morais e legais e tendo esses comportamentos sido denunciados, é aceitável que escolhamos o mais austral comportamento de enfiar a cabeça na areia? Não me parece. 

Pelo que me habituei a ouvir, muito mais do que a ver, sei que a honestidade, a honradez, a solidariedade, a fraternidade e a educação (algo tão trivial como não insultar concidadãos com brejeirices em público) são valores por todos defendidos. Sei também que estes valores valem para todos os socialistas (e calculo eu que para todos os militantes de outros partidos) e que são mais importantes do que os próprios ideais professados pela esquerda republicana. São no fundo uma forma de estar na vida que todos gostamos de apresentar com mais ou menos autoridade. Também sei que para um partido com a história e os pergaminhos do Partido Socialista, admitindo que os quer perpetuar e romper com “acidentes de percurso”, há coisas demasiado graves para que um candidato possa ostentar.

Isto porque acredito que o Partido é um dos garantes de uma sociedade melhor, mais justa e solidaria, mas também porque são estas situações que o mancham, e arrastam para uma espiral de maledicência que afecta não só os responsável (por acção ou omissão intencional) mas a todos os cidadãos. 

Bem-haja pela paciência.

publicada originalmente no Rua Direita a 3 de Fevereiro de 2017

Comentários

Revisão Constitucional

Recentemente em Fisco espanhol apanhou vários futebolistas em esquemas lesivos das finanças de nuestros hermanos. O caso mais mediático foi o de Cristiano Ronaldo mas também José Mourinho, Pepe, Fábio Coentrão, entre outros, foram apanhados, condenados a penas de prisão (com pena suspensa) e obrigados a pagar os milhões devidos. Tudo isto aparenta ter a batuta de Jorge Mendes, o por cá apelidado de “super-agente”. 

Foto Global Images
Tanta gente que, em terra estrangeira, não cumpre o mais basilar princípio de solidariedade e cidadania e, pelos vistos, não faz o menor esforço por se integrar nas sociedades para onde emigra. Em jeito de brincadeira frisemos que ainda bem que o Quaresma não está envolvido nisto (ou está?). 

Por cá, em terras lusas, dão-se-lhes comendas, palco, nomes a infraestruturas, selfies. Idolatramo-los porque jogam bem à bola, ou porque têm sucesso. Consideramos tais personagens como se fossem de outra casta, são “brâmanes”, que tudo podem e estão acima dos comuns mortais. Podem ser marginais lá fora mas são os “nossos” marginais. 

O que esperar de um Estado que condecora (e com isso aponta como exemplo) cidadãos que fogem aos impostos? Que demonstram não cumprir os mais basilares princípios legais? Porque devem os restantes cidadãos, à luz da igualdade plasmada na actual Constituição, comportar-se de forma diferente se estes são idolatrados pelo Estado? 

Acabe-se a hipocrisia e mude-se a Constituição. Institua-se um sistema de castas (onde também caberão os banqueiros e mais alguns devedores) onde uns tudo podem e, depois, os outros. Seria mais sério e poupavam-se figuras ridículas de gente a tentar justificar o injustificável.

Comentários
Com tecnologia do Blogger.

Procura

Swedish Greys - a WordPress theme from Nordic Themepark. Converted by LiteThemes.com.