Em tempos defendia-se em Canas igualdade de tratamento pela CM. Essa igualdade de tratamento era, naturalmente, desejada para uma questão que em Canas é tudo menos uma brincadeira - o Carnaval.
É incompreensível, para quem conhece a realidade local - e quem está na CM não a pode desconhecer - que um Carnaval com trezentos anos de tradição fosse apoiado, nos mesmos moldes que um de cerca de trinta. E para não ser compreensível aquilo que tradicionalmente a autarquia faz é apoiar substancialmente mais aquele que não tem grande tradição, chegando a deixar o autêntico e enraizado com sobras.
Nesses tais tempos de defesa da igualdade e de direitos, tempos em que se estremavam posições e se queria tudo (leia-se a restauração do concelho), o Carnaval servia de bandeira. Agora a bandeira que se usa é outra. Mas também não se pode estranhar já que exemplos de troca de estandarte não são propriamente parcos por estas bandas. Antes pelo menos mantinham o padrão cromático o que poderia servir de desculpa.
Abandonou-se a luta da restauração do concelho - o que eu compreendo, já que sempre defendi o desenvolvimento acima de tudo - a troco de o desenvolvimento de Canas, mas o que continuamos a assistir é à marginalização sistemática de Canas e das suas mais intensas expressões, culturais incluídas.
Ao que parece a CM prepara-se para perpetrar mais um sinal dessa marginalização ao apoiar as Associações de Carnaval de Nelas com bem mais do que o fará para Canas. Será que Paço e Rossio vão manifestar a alguém o seu descontentamento?
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