Solidariedade Não é o Mesmo que Servilismo

Diz o inventivo Borges da Silva que “depois de Alexandre Borges me dizer que tudo fará para que não seja novamente presidente da Câmara, eu respondi : rua” 

Vamos às verdades: houve de facto uma reunião no gabinete do Presidente de Câmara. Na narrativa de Borges da Silva esta é a única verdade. 

O que aconteceu no gabinete: 
  1. Borges da Silva intimou-me: “ou apoias a minha recandidatura pelo PS ou vais para olho da rua”; 
  2. Disse a Borges da Silva que nunca o poderia apoiar numa recandidatura porque não era hipócrita. Disse-lhe igualmente que não tratava de política partidária nos Paços do Concelho; 
  3. Nunca lhe disse que faria o que quer que fosse para evitar o que quer que fosse; 
  4. Seguiu-se uma cena pouco digna para um Presidente de Câmara, mas que não estranhamos no que comanda os destinos do concelho, a que não reagi de qualquer forma a não ser ir para a rua. 

Curioso como Borges da Silva, com a explicação inverdadeira que dá, continua não explicar a razão do despacho ter sido feito há 7 meses atrás e, na verdade, acaba até por descredibilizar a sua inventiva versão. 

Das razões para o meu não apoio à recandidatura, já dei nota, num texto anterior. O assunto foi posto na agenda e na rua exactamente por Borges da Silva, depois de, num estilo desrespeitador de pessoas e órgãos tão característico, ter anunciado unilateralmente que era candidato pelo Partido Socialista. Borges da Silva pode bem anunciar que é candidato. Tem toda a legitimidade para o fazer, como aliás qualquer cidadão eleitor. Não pode e, essencialmente, não deve fazê-lo dizendo que é candidato por qualquer partido sem que as bases que estatutariamente têm de ser ouvidas o façam. 

Borges da Silva é Presidente da Câmara mas deve julgar-se dono do concelho e das vontades dos seus habitantes e de todas as suas instituições. Vai daí, desvalorizando os militantes, as estruturas locais do partido e, consequentemente, o próprio concelho, anuncia que basta-lhe o apoio de gentes "mais importantes" que uns meros cidadãos eleitores. São assim os absolutistas. Para ele 3 anos é muito tempo e longe vão os tempos em que se desfazia em salamaleques para cair nas boas graças da comissão política que o convidou a formal lista para se candidatar à Câmara. Agora, essas mesmas pessoas, que lhe prestaram apoio para lá do razoável, são tratadas como dispensáveis. Acha-se no direito de se substituir ao Presidente da Comissão Política Concelhia e considerar a convocatória que este me fez para estar presente, nula só porque julga que a mesma não lhe é conveniente. Acha isto mesmo depois de eu ter confirmado, junto de quem devia, se devia ou não participar com plenos direitos ou com direitos limitados. Coage-me para não estar presente dizendo que iria (contra os estatutos que invoca), não comparecendo. Tanta preocupação escusada. Bastava que o seu ímpeto “socialista” não fosse tão recente e a sua inscrição fosse feita atempadamente, por convicção e não por oportunismo. 

O homem que descobriu as virtudes do pensamento de António Costa no dia em que ele formou governo, convoca agora munícipes, com telefonemas feitos da Câmara Municipal, para que nessa qualidade compareçam numa reunião que afinal, vai-se a ver, se trata de um encontro de cariz propagandístico. Como habitualmente, com a sua característica habilidade numérica, transforma meia sala em sala cheia. O autarca “eleito independente nas listas do Partido Socialista” mas que até Passos ser apeado foi incapaz de se inscrever como militante ou até declarar-se simpatizante para votar no Secretário Geral   nas eleições primárias, julga que tem autoridade para "à força" transformar em “simpatizantes socialistas” cidadãos que lamentavelmente, fruto de acções intimidatórias, não têm a liberdade para dizer não. 

Quando respondi ao ultimato, fi-lo sem dramas, certo do caminho que estava a trilhar, das consequências envolvidas, com a certeza de que devia continuar a viver da forma como escolhi fazê-lo e que era a melhor forma de defender o julgo melhor para o concelho. Não me viram nem me verão a queixar-me da minha destituição. Borges da Silva escolheu um caminho e é responsável por ele. Não tente usar uma ventoinha para espalhar as consequências dos seus actos passados e presentes.

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